O Natal aproxima-se a passos largos e é tempo de pensar em prendas, não só para o meu piratinha, mas para todos os outros piratinhas da família. Por isso, cá em casa os preparativos de Natal foram oficialmente iniciados com as compras dos primeiros presentes.
Muitas vezes os avós querem dar brinquedos aos netos, mas não sabem muito bem o que oferecer. Por isso, aqui deixo uma sugestão que sigo desde o ano passado: os avós vão gastar o dinheiro quer queiramos, quer não, por isso, porque não ajudá-los a gastarem bem o dinheiro? Desde ano passado que me ofereço para comprar os brinquedos para o neto piratinha e eles depois pagam-me. Deixo os presentes em casa dos avós e deixo-os para serem embrulhados por eles próprios, para sentirem que foram eles que escolheram também. Assim, o meu piratinha recebe sempre presentes que mais ninguém se lembraria de oferecer como Legos, puzzles, etc.
Este ano decidi oferecer ao meu piratinha puzzles que ele adora fazer e o Faísca MacQueen (a personagem do filme de animação Cars) desmontável, ou seja, tem de o montar com uma pequena chave de fendas. Acho que vai adorar!
Este foi também o mês do meu aniversário: 34 anos já lá vão e não posso deixar de registar aqui este cliché: Como o tempo passa! E qual foi o presente que o P. com o seu papá me ofereceu: uma aula de equitação. E no próprio dia do meu aniversário, num dia cheio de sol, lá fomos andar a cavalo. O Piratinha também andou com a sua mamã e adorou, apesar de inicialmente ter medo.
Foi bom para ele ter contacto directo, não só com o cavalo, mas também com os ares campestres. O pior é a sujidade, porque para ele tudo é uma festa, não importando se está a pular numa poça de água, se está de joelhos na lama... Até parece que com o avançar da idade se torna mais selvagem e mais sujo! Como ele não pára e tem curiosidade por tudo o que o rodeia, há imensa coisa suja para fazer e ver. Por isso, esta é a altura certa para insistir nos hábitos de higiene, especialmente no lavar das mãos. É uma luta diária para lhe inculcar este hábito de lavar as mãos antes das refeições e depois de ir à sanita. Para lhe facilitar a lavagem das mãos posso-lhe dar um sabonete giro em forma de hipopótamo em vez do sabonete líquido, o que será divertido. Ainda mais divertido será cantar uma canção que dure o tempo exacto da lavagem das mãos.
Aliás tenho de comprar um degrau para ele deixar de lavar as mãos no bidé e começar a lavá-las no sítio certo, no lavatório. Mas com o degrau virão mais problemas, especialmente todas as diferentes formas que a imaginação dele vai atribuir à utilização do degrau. Sei lá, porque não utilizar o degrau para subir a uma janela e tentar abri-la? Chegar ao armário dos medicamentos da casa-de-banho? Má ideia: não vou comprar o degrau!
Muitos pais e mães vêem chegado o momento de colocarem os seus filhos a dormir na cama grande, ou seja, na cama de solteiro, em vez do berço. Geralmente, aquando desta mudança os piraticas fogem para a cama dos pais durante a noite. O meu Piratica já dorme na sua cama dos grandes desde os 12 meses e apenas caiu uma vez da cama. Nunca coloquei nenhuma protecção lateral na cama e ele adaptou-se muito bem, o que para mim foi óptimo: menos tralha para arrumar! O maior problema, que se arrasta desde bebé, é que ele se destapa à noite. Basicamente ele começa a pontapear o edredon durante o sono e fica a dormir toda a noite sem edredon. Quando era bebé, dormia no saco-cama, que foi a única maneira de o prender debaixo doa lençóis, mas agora já coloquei um cobertor para tornar a roupa de cama mais pesada e ser mais difícil para ele se destapar. Claro que ele continua a afastar a roupa toda para trás. Próxima tentativa: enfiá-lo num saco-cama de campismo.
Mas esta mudança do berço para a cama não o afectou muito. Há crianças que ficam muito afectadas e confesso que defendo esta mudança o mais cedo possível, altura em que não dão muito valor ao tamanho da cama. E digo isto, porque o berço do meu Piratica ficou sempre no quarto dele, e foi apenas mudança de tamanho da cama e nada mais. Ele dorme sozinho no seu quarto desde os 3 meses e foi a melhor coisa que fiz!
Há pequenos truques que ajudam a esta fase de transição: acompanhá-los à cama, contar-lhes uma história ou ouvir uma música até adormecerem, deixar uma luz de presença muito suave, não falar muito com eles para que o momento seja de silêncio. Ainda hoje acompanho o meu piratica à cama, conto-lhe uma história e deito-me com ele até adormecer. Tenho sido persistente e consistente no meu modo de actuar relativamente à hora de ir dormir, mas de vez em quando ele quer dormir na cama do papá e da mamã e deixamo-lo, mas como excepção, nunca como norma. Por exemplo, este mês estivémos de férias no estrangeiro sem ele. Ele ficou com os avós 15 dias e sinto que ele sentiu muitas saudades nossas. Quando voltámos só queria dormir na nossa cama e deixámos, tendo em consideração que ficou longe de nós todo este tempo.
Quando faço férias sem ele, parte-me o coração deixá-lo, apesar de racionalmente saber que ele fica bem e que ele nunca iria apreciar a viagem, aborrecendo-se terrivelmente. Mas estes dias a sós como casal são necessários para refrescar a rotina e o dia-a-dia stressante que levamos.
Quando regressámos estava mimado que só visto!E depois durante as semanas seguintes de regresso a casa, precisamos fazer o que eu chamo de desintoxicação até ficar completamente curado da influência mimada dos avós. Digamos que os avós são um mal necessário.
Continuam as queixas diárias do infantário sobre o comportamento demasiado expansivo do meu Piratica: ele é bater nos colegas, atirar os brinquedos e já nem sei o que dizer às auxiliares ou às educadoras. Não sei até que ponto seria conveniente levá-lo a um pedo-psiquiatra. Falo sobre isso na próxima consulta dos 3 anos com a pediatra.
Para além do comportamento, tem uma personalidade muito difícil e já fui aconselhada várias vezes a ignorar, porque o que ele apenas quer é chamar a atenção. Mas não consigo ignorar até à extinção, caso contrário dou em louca! E quando começa a escalada do mau comportamento para uma birra dramática é quando me passo dos carretos. Vou tentar controlar-me, mesmo quando ele chora mais alto numa tentativa de sacar o meu grito de Tarzan, vou tentar ignorá-lo até que tudo acabe e tentar que as birras entrem em vias de extinção. Como os dinossauros! Dinossaura sinto-me já eu de o aturar!
E ele tem o dom maquiavélico, como nenhuma outra pessoa o consegue (talvez o meu patrão!) de me irritar até eu desatar aos gritos como uma histérica. Quando ele se põe a dizer não a tudo, então é o fim da picada! Ainda não percebi qual é a piada de dizer tanto não! Segunto a pediatra, ele está a descobrir a livre escolha, está a descobrir que tem opinião própria. Muitas vezes ele diz não, mas o que ele quer mesmo dizer é sim. E o mais engraçado é que ele acredita que quanto mais alto e mais vezes repetir não conseguirá convencer-nos a fazer o que ele quer. E não é que consegue mesmo? Vou tentar ensinar-lhe o talvez.
Apesar de terrível, é uma criança animada e feliz, mas às vezes este comportamento parece revelar stress. Mas de quê? Demasiadas actividades, demasiados fins-de-semana fora de casa, demasiado tempo fechado na sala do infantário, pouca rotina, estar doente, uma mudança nas nossas vidas... Como temos a família longe - os meus sogros são os que vivem mais perto de nós e estão a 1 hora de carro - andamos constantemente a viajar para trás e para a frente com visitas de fins-de-semana. E quando chega esta época natalícia é o caos! E com o caos vêm as alterações inevitáveis à nossa rotina do dia-a-dia e as nossas crianças nesta fase adoram a rotina porque se sentem mais seguros. Como andamos para trás e para a frente surgem as inevitáveis constipações que o debilitam fisicamente e para piorar o N. trabalha fora de casa pelo menos dois dias por semana o que não ajuda muito à estabilidade familiar que eles precisam sentir. É o novo milénio!
Há sinais aos quais devemos estar atentos:
1-Quando parece se desinteressar das coisas e parece alheado;
2-Há uma mudança na sua personalidade, especialmente de alegre para zangado;
3-Não quer ir brincar;
4-Insiste que quer ir para casa quando se acabou mesmo de chegar a um sítio;
5-O treino para deixar a fralda entra num processo de remissão.
E por falar em stress, não há maior drama do que a hora de dormir. Desde bebé que tenho dificuldade em pô-lo a dormir. Ele deve achar que é um desperdício de tempo, mas insisto sempre na rotina de ir para cama: levo-o até ao quarto, baixo a luz, conto-lhe uma história e estou durante uma hora a ameaçar que me vou embora do quarto, porque ele simplesmente não quer dormir. Ele deita-se na cama, mas eu também tenho que me deitar com ele, e quando finalmente adormece saio em bicos de pés. É uma luta diária pô-lo a dormir e muito raramente me pede para ir para a cama, apesar de andar pelos cantos a esfregar os olhos.
Ele ainda não tem noção do que é hora de..., e muitas vezes mostro-lhe o meu relógio e digo-lhe: "Estás a ver, é hora de papar, é hora disto, é hora daquilo..." Agora, quando fazemos viagens de carro superiores a 1 hora, já começa a perguntar "Já chegámos?". Ele compreende perfeitamente o que quero dizer quando me refiro a ontem ou a amanhã, só que no mundo dele, por exemplo, ontem pode ter sido há uma hora atrás. Por isso, é que as rotinas são tão importantes para ele, porque são o seu relógio. Sabe sempre que depois do almoço dorme a sesta e, quando perturbamos este delicado equilíbrio ele fica completamente transtornado. Tenho que usar mais referências ao tempo para o habituar.
Às vezes quando jantamos com amigos que têm filhos da mesma idade, começamos a brincar e a imaginar o que serão eles quando forem adultos e tentamos descobrir as actividades para as quais revelam mais apetência. Por exemplo, uma amiga minha está a descobrir que o filho adora música. Quando penso no meu Piratica e observo a energia inesgotável que tem só lhe identifico uma apetência: exercício físico. Ele simplesmente adora mexer-se: correr, saltar, ser atirado ao ar, rodopiar... ele adora fazer tudo! Muitas vezes vou ao parque infantil com ele. Anda no escorrega? Não. Anda no baloiço? Não. Anda no balancé? Não. CORRE! Sim, corre à volta do parque durante pelo menos 15 minutos sem parar. Acho que tem tanta energia dentro dele que sente que tem que a libertar de alguma forma. Ele ainda não tem 3 anos e praticamente já sabe andar de bicicleta, com as rodas de apoio é claro, mas pedala bastante bem. Adora jogar à bola e já dá uns chutos impressionantes (eu que detesto futebol e esperava que o meu filho fosse cientista!) Um destes dias fomos assistir a um jogo de futebol de júniores e ele, sem qualquer aviso, desata a correr pelo campo de futebol adentro, quase atropelando o árbitro e os jogadores, correu, correu, correu que para o apanharmos foi um sarilho! O N. ficou a suar em bica e o Piratica depois de uma corrida daquelas estava fresco que nem uma alface!
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